| Lins recebe “Coleção Arqueológica Kiju Sakai” em junho |
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| Por Francine Sayuri Shimizu | |
| 29 de maio de 2008 | |
As peças coletadas pelo arqueólogo japonês Kiju Sakai em solo brasileiro estarão expostas no Centro Cultural de Lins durante todo o mês de junho.A exposição revela a importante contribuição japonesa para a arqueologia brasileira, grande parte das escavações foi realizada em colônias e contou com apoio dos imigrantes. Estarão na mostra esqueletos humanos pré-históricos, instrumentos de pedra lascada, machados polidos, pontas de flechas, lanças, cerâmica indígena, medalhas do serviço de proteção ao índio, documentos originais escritos em japonês, fotos das campanhas arqueológicas da década de 1930, e aquarelas feitas pelo próprio Sakai para retratar a cultura material. A curadoria é de uma equipe de pesquisadores da qual fazem parte Michelle Mayumi Tizuka, Louise Afonso e Márcia Lika Hattori, arqueólogas da Universidade de São Paulo. A região de Lins abrigava muitos imigrantes japoneses que, ao se dedicarem à exploração agrícola, encontravam os mais diversos artefatos arqueológicos. Tais artefatos eram guardados na casa dos colonos que, por sua vez, trocavam muitas informações sobre eles. Assim foi criado o Instituto de Pesquisa de Ciência Natural Kurihara, com sede em Lins, do qual fez parte Kiju Sakai, que nasceu na cidade de Sapporo, Japão. Graduado na Universidade Meiji Gakuin, ele emigrou para o Brasil em maio de 1934. Na década de 1930, Kiju Sakai fez escavações dos sambaquis fluviais da região do Vale do Ribeira de Iguape. Apesar de se declarar um amador, os registros das escavações revelam que Sakai estava atendo aos mais diversos aspectos dos sítios arqueológicos, registrando meticulosamente cada passo de seu trabalho. Estes sambaquis escavados por ele nada mais eram do que montículos de conchas sobre os quais os povos pré-históricos viviam e enterravam seus mortos há mais de sete mil anos. Dentre os achados destacam-se inúmeras ossadas humanas e artefatos que as acompanhavam, como colares de dente de tubarão. Evidenciava-se assim a existência de um complexo sistema ritual perante a morte. O apoio dos imigrantes japoneses foi decisivo tanto no auxílio durante as escavações quanto na conservação desse acervo durante a Segunda Guerra Mundial, quando Sakai retornou ao Japão. Durante este período a coleção arqueológica da equipe japonesa ficou escondida na casa de diversos conterrâneos. No Japão, a pesquisa de Kiju Sakai foi bem recebida por pesquisadores da Universidade de Tóquio. Lá, ele publicou seus estudos sobre os grupos indígenas do Brasil. Entretanto, sua maior preocupação era a situação do material que havia ficado no Brasil, sobre o qual Sakai passou anos sem ter notícias. Ao retornar ao Brasil, realizou seu sonho de reunir a coleção de materiais arqueológicos desfeita durante a Segunda Guerra. Em 1981, ele publicou a edição brasileira de seus estudos para deixar documentada sua pesquisa e acervo material. Em 2002, a coleção arqueológica Kiju Sakai deixou o local no qual permaneceu guardada por anos, em Ferraz de Vasconcelos, e foi transferida para o Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos (USP).
Fonte: Assessoria de imprensa
Coleção Arqueológica Kiju Sakai, em Lins |
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