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Imigrantes centenários, a emoção da homenagem Imprimir E-mail
Por Célia Abe Oi / Fotos: Gabriel Inamine   
02 de julho de 2008
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Imigrantes centenários, a emoção da homenagem
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Imigrantes japoneses centenários: Jóias raras da comunidade nipo-brasileira

"Diplomados na universidade do mundo" foi a definição do professor Kokei Uehara, presidente do Bunkyo e da Associação de Comemoração do Centenário, ao saudar os homenageados. Além de ressaltar o pioneirismo deles, reconhecendo que "foram eles os responsáveis pela sedimentação do caminho que conduziu ao respeito que a sociedade brasileira demonstra pela comunidade nipo-brasileira". Afirmou serem eles, "jóias raras da comunidade" e, ressaltou a importância de as novas gerações poder  "beber" todos os conhecimentos acumulados por nossos antepassados.

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Kokei Uehara ressaltou a experiência dos pioneiros, "jóias raras" da comunidade
Acompanhada por filhos, noras, genros e neto, Yoshiko Hanashiro falou em nome dos homenageados. Com seus 99 anos de idade, ajuda da nora e da bengala, chegou até o microfone na frente do palco para seu discurso de agradecimento. Em três folhas de papel, escrito em japonês, em letras grandes, dona Yoshiko falou alto e em bom som: disse que chegara ao Brasil há 88 anos, e "pensando bem, devido à longevidade, viveu uma grande variedade de coisas e acontecimentos". Desses, sem dúvida, um dos acontecimentos recentes foi a possibilidade de encontrar o príncipe herdeiro do Japão, "oportunidade que jamais imaginada para quem viveu no Japão antigo e isso foi possível graças ao foto de ter vivido tantos anos. Estou muito agradecida por tudo isso". Também em nome de todos os homenageados, agradeceu aos organizadores do evento.
 
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Entre os vários acontecimentos de sua vida, dona Yoshiko Hanashiro destacou o momento em que viu o príncipe Naruhito

Terminada a sessão solene, sentada numa cadeira, mão apoiadas no andador, olhos levemente fechados, é como se estivesse em meditação. Kessako Morita, uma senhora de 99 anos, franzina, discretamente, cantarolava as músicas que Juliana Suzuki interpretava no palco com sua flauta. Graças a isso, os presentes tomaram a iniciativa de, também, acompanhar as músicas. "Não canto bem e, por isso, não gosto de soltar a voz, mas prefiro cantar para dentro, para alegrar o meu coração", explica ela.


Kessako Morita, 99 anos de idade, natural de Nagano, conta que chegou ao Brasil em 1934. Ainda jovem, durante 10 anos trabalhou na fábrica de fiação de seda, em Mogi das Cruzes. Depois disso, mudou-se para Itaquera (atualmente, um populoso bairro da zona leste da capital paulista), mudando-se depois para Itaquera onde, inicialmente, trabalhou no cultivo de tomate, mudando-se depois para a fruticultura, especialmente, de pêssego.

Kessako teve seis filhos e mais um adotivo, que lhe deram 14 netos, 14 bisnetos. Tem um tataraneto de 7 meses.

Dos 50 homenageados, uma curiosidade: todos são nascidos no Japão, somente uma pessoa é nissei. Trata-se de Carme Kanagusuke Gushiken, de 99 anos de idade, nascida na cidade de Santos. Trata-se da primeira nissei nascida no Brasil, em 17 de novembro de 1909, em Santos.

09.jpgTieko Gushiken (filha) e Sueli Keiko Miyashiro (neta), presentes na homenagem, lamentaram a ausência de Carme: "ela já não idade para viagens tão longas", já que reside em Botucatu (cerca de 350 quilômetros da capital paulista). Mas isso não quer dizer problemas de saúde.

"Ela é uma pessoa sábia, sempre de alto astral", define a neta Sueli, "toda vez que vou a Botucatu tento ficar o mais tempo possível com ela. Parece que a gente volta renovada para a casa". Mesmo prestes a completar 100 anos, "junto com o bom humor, dona Carme é famosa na família pela impressionante memória. Dizemos que, se não queremos que algum compromisso seja esquecido, é só pedir para ser lembrada pela batian (avó). Tenho muito orgulho de ser neta dela", reforçou Sueli.

Tieko conta que Carme, "talvez tenha sido inspirado no nome japonês Kame, para homenagear uma das ancestrais da família, em Okinawa". Os avós da homenageada chegaram no conhecido vapor "Kasato Maru" que trouxe a primeira leva de imigrantes japoneses, Kamisa e Saburo Kamigusuku . Inicialmente foram enviados para a Fazenda Floresta, na região de Itu, 100 quilômetros da capital paulista.

Como é sabido, a família ficou muito tempo na fazenda de café e, logo estava trabalhando como estivador no porto de Santos. "A atividade deve ter sido fatal para ele, dois anos depois ele faleceu". Ainda criança, Carme sofreria mais duas perdas importantes - do mãe e do padrasto. Tinha 13 anos de idade e foi criada por parentes.

Para sobreviver, Carme adotou com as amigas um procedimento comercial infalível: comprovam sacas batata doce, caixas de legumes, dividiam entre elas e saiam para vendê-los nas portas da casas.  O mercado de Carme eram as residências de Guarujá.

Casada, aos 19 anos de idade com o eletricista Seisho Gushiken, com quem teve 11 filhos. A primeira nasceu em Santos e os outros filhos, em Botucatu, onde vive até hoje. Atualmente, são 11 netos e 14 bisnetos.

17.jpgMassako (de 77 anos), filha única de Satsuki Ue, de 99 anos, esteve representando a mãe na cerimônia, conta que a história da família começou na região de Mogiana,seguindo-se depois para Marília e Pompéia. Desde 1947, conta, a família fixou-se em Tupã, onde vive até hoje.

A mãe, Satsuki, evitar sair casa. Um problema para Masako que tem dificuldades para encontrar alguém disposta a cuidar dela. Aos 99 anos, o passatempo predileto dela (e que ocupa todo o dia), é a costura.  "O dia inteiro ela se ocupa em preparar, e depois costurar tapetes "patchwork". Desmancha as roupas velhas, corta os tecidos, tinge quando preciso e passa ferro em todos deles". Com tantos tapetes em casa, Masako usa de presentear parentes e familiares.

Em São Paulo, especialmente para o evento, Massako diz que valeu a pena viajar 530 quilômetros de Tupã, "eu não esperava que seria uma festa linda com esta".



 
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