Sobre o Bunkyo
Instalações
Museu da Imigração | Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil |
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O objetivo da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo-SP), responsável pela iniciativa, foi o de registrar e preservar tudo o que pudesse contar a vida dos imigrantes japoneses no Brasil.Atualmente o MHIJB soma 1.592 m² de área expositiva, dividida em 3 andares: 7o, 8o e 9o andares, localizados no Edifício Bunkyo, em pleno bairro da Liberdade. Os dois primeiros andares foram construídos em 1978 e reúnem documentos e objetos que abrangem desde a assinatura do Tratado de Amizade Brasil/Japão (1895), a chegada dos primeiros imigrantes (1908), os núcleos coloniais (a partir de 1913), até a policultura. O 9o. andar, inaugurado em novembro de 2000, enfoca os 50 anos pós-guerra. Nele estão retratadas as mudanças da comunidade nikkei, a vinda das empresas japonesas, bem como a contribuição dos nipo-brasileiros para a sociedade brasileira.Em outro andar (3o. andar) estão localizados a biblioteca e o acervo, que somam mais de 5 mil objetos, 28 mil documentos escritos (entre diários, livros, jornais, revistas) e cerca de 10 mil fotos relacionadas aos imigrantes japoneses. Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil Rua São Joaquim, 381 - Liberdade 01508-900 - São Paulo - SP 3º andar - Biblioteca/Escritório 7º, 8º e 9º andares - Exposição Permanente Horário de atendimento Exposição De 3ª a domingo: das 13h30 às 17h30 Ingressos: R$ 5,00 (adultos) Estudantes: R$ 2,50 (com carteirinha)Crianças de 6 a 11 anos: R$ 1,00 Entrada franca: menores de 6 anos e idosos acima de 65 anos Biblioteca*/Escritório De 3ª a 6ª: das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h 2ª e sábado: das 13h30 às 18h *Biblioteca apenas para consulta local. Tel/Fax: (11) 3209-5465 ou 3208-1755 (ramal 117) E-mail: Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo
Rogério Gonçalves, Antonio Carlos Zani e Paulo César Garcez Marins em palestra da mostra O Japão em Cada Um de Nós, em 21 de agosto último
O arquiteto Rogério Bessa Gonçalves comenta um dos aspectos interessantes dessa história. "Como qualquer moradia tradicional japonesa, as construções de Registro eram modulares, com esteios e demais elementos estruturais regularmente dispostos. Praticamente todas as moradias rurais eram desmontáveis e seus componentes construtivos codificados de forma a permitir a completa desmontagem e remontagem da construção". Ele dá mais informações sobre isso. "Muitos imigrantes compravam somente as casas, sem os terrenos, depois as desmontavam e remontavam em suas propriedades. Outros vendiam apenas os terrenos e levavam consigo as casas desmontadas para remontá-las em um novo sítio".
Para quem não conhece as técnicas tradicionais japonesas de construção de moradias diretamente relacionadas com os abalos sísmicos, essa história parece inverossímel. A introdução de levas de imigrantes japoneses para a chamada Colônia Iguape (que incluía Registro, Sete Barras e Katsura ou Gipovura) decorreu do contrato de colonização estabelecido em 1912 entre o governo paulista e o Sindicato de Tóquio (que no ano seguinte mudou a denominação para Companhia de Colonização do Brasil que, seis anos depois foi incorporada à Companhia Ultramarina de Empreendimentos S/A, mais conhecida como KKKK - Kaigai Kogyo Kashushiki Kaisha).
Este é o princípio da instalação de um dos primeiros núcleos de colonização envolvendo 75.853 hectares que, em 1917 somava 5.121 pessoas (1.060 famílias). Esses imigrantes chegavam ao núcleo como colonizadores e proprietários das terras (doadas pelo governo paulista interessado no desenvolvimento da cultura cafeeira). Ao mesmo tempo, ressalta, esses imigrantes conheciam (e aplicaram) as soluções milenares utilizadas para edificar em sua terra natal, "integralmente apoiadas em conceitos culturais". Em sua pesquisa, Rogério aponta as influências religiosas (budistas e xintoístas) presentes em vários elementos simbólicos, bem como a da tradição das moradias rurais japonesas (guenkei). Explica ainda sobre a modulação estrutural baseada na tradição construtiva japonesa, as fundações utilizadas para dar estabilidade às vigas das moradias, a estrutura da cobertura que revelava "toda capacidade técnica dos mestres carpinteiros e as soluções empregadas nos sistemas de ensambladura do conjunto". O texto do arquiteto ainda trata sobre os materiais usados para a cobertura dessas residências e as técnicas de vedação usadas nas paredes "semelhantes às das casas dos agricultores nativos de Registro", com algumas mudanças que "aperfeiçoaram seu desempenho". Trata ainda das providências relacionadas ao conforto térmico.
Contribuição na construção do país "Com o tempo foram se perdendo o domínio técnico alcançado por esses imigrantes, memoráveis arquitetos-carpinteiros que, com ferramentas ligeramente diferenciadas dos ocidentais, conseguiram arrancar da matéria-prima o máximo de seu desempenho construtivo", escreve Rogério Bessa Gonçalves. Ressalta que o ano do Centenário da Imigracão Japonesa é inspirador para "fazer uma reflexão sobre a nossa própria identidade como brasileiro", e sugerir pesquisas em outras regiões, como a "Região Norte, onde pode haver informações valiosas relacionadas a frentes de imigração destinada da vários tipos de lavoura, entre elas a pimenta do reino".
Interessados na íntegra do artigo de Rogério Bessa Gonçalves poderão acessar no site: http://www.scielo.br/. Vale a pena conferir.
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