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Dia 7 de novembro, entrega do “Prêmio Literário Colônia” Imprimir E-mail
Por Célia Abe Oi   
04 de novembro de 2008

thumb_bungueisho_-_t._suzuki.jpgRealiza-se, no próximo dia 7 de novembro, sexta-feira, a partir das 19h, a solenidade de entrega do Prêmio Literário "Colônia" (Coronia Bunguei-sho), evento instituído em 1968, que tem como finalidade premiar as melhores obras literárias publicadas durante o ano.

Na cerimônia, que será realizada no Salão Nobre (2º. andar da sede do Bunkyo, Rua São Joaquim, 381 - Liberdade), o Prêmio Literário de 2008 será entregue a Masatake Suzuki, autor da obra Teiiti Suzuki, Burajirunikkeishakai ni Ikita Kisai no Shougai ("Teiti Suzuki, a trajetória de um gênio que viveu na comunidade nipo-brasileira"), publicada pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros.

thumb_bungueisho_-_30_anos_rojin_kurabu.jpgAlém disso, a Comissão do Prêmio Literário, responsável pela organização do evento, também preparou homenagem especial às editoras e publicações devido ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Assim, foi instituído o Prêmio Especial "Kinenshi-Sho" (Livro Comemorativo) ao livro "A Trajetória de 30 Anos da Federação dos Clubes Nipo-Brasileiros de Anciões", que traça um histórico da organização das atividades associativas relacionadas à terceira idade.


Estará sendo concedido o Prêmio "Kensho-Sho" às entidades que mantiveram, durante mais de 25 anos, as atividades de publicação voltadas para a divulgação da língua japonesa. São elas:

* "Yashiju" publicação mantida pelos poetas de tanka (poema de 31 sílabas), desde 1938;

* "Asakague", publicação que reúne poetas haiku (poema de 17 sílabas) fundada em 1979;

* "Nooson" publicação lançada em 1969 que dá destaque às criações literárias em prosa e poesia de imigrantes japoneses;

* "Brasil Nikkei Bungaku" (publicação da Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil que reúne associados e colaboradores de várias modalidades literárias cultivadas pelos imigrantes japoneses. A primeira revista chamava-se "Colônia Bungaku", lançada em 1965).

 * "Brasil Rosso no Tomo", boletim mensal publicado, desde 1974, pela Federação dos Clubes Nipo-Brasileiros de Anciões que, além de enfocar as atividades da entidade, reúne as produções literárias dos associados.

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Também foi instituído o "Premio do Júri" que será outorgado para Yoshio Hayashi pela obra "Kaitaku" (Desbravamento), onde o autor narra sua trajetória e de sua família, tendo como cenário a província de Nagano, Manchúria (leste da Ásia), Ibaraki e finalmente Guatapará (região nordeste do Estado de São Paulo, onde emigraram em 1962).


O livro vencedor do "Prêmio Literário Colônia 2008" poderá ser adquirido pelo preço promocional de R$ 40,00.



As publicações "Yashiju", "Asakague", "Nooson", "Brasil Nikkei Bungaku" e "Brasil Rosso no Tomo" na ordem (clique nas imagens para ampliar):

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thumb_bungueisho_-_asakague.jpgthumb_bungueisho_-_nosson.jpg













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O relacionamento dos Suzuki como inspiração do livro

"Na realidade, eu me apaixonei por esse cara".

Essa foi a maneira mais convincente que Masatake Suzuki escolheu para justificar os seis anos de pesquisa para escrever "Teiiti Suzuki, Burajirunikkeishakai ni Ikita Kisai no Shougai" (Teiti Suzuki, a trajetória de um gênio que viveu na comunidade nipo-brasileira), obra publicada, em 2007, pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros.

"Tei-san", como era chamado carinhosamente pelos amigos, foi seu padrinho de casamento, diz Masatake, esclarecendo que a semelhança de sobrenome foi mera coincidência.

Mas, o que despertou tanta "paixão" do pesquisador?

Masatake conta que Teiiti, embora fosse um "homem das letras", deixou pouco, quase nada escrito sobre si, sobre seu pensamento. "Não tinha costume, como Tomoo Handa, de anotar num diário os acontecimentos". O único diário foi escrito no início dos anos de 1930, quando veio ao Brasil pela segunda vez (a primeira foi em 1928), foi para a Aliança com a família (região de Mirandópolis - SP) e, posteriormente, mudou-se para Porto Alegre (RS) para estudar português. "O diário é dessa época e mistura japonês, português, latim e muitas poesias em francês", conta Masatake, admitindo que demorou meses até conseguir "traduzir" todas as letras de Teiiti.

"Teiiti foi uma pessoa inquieta e extremamente inteligente", diz o autor, reconhecendo que foi um desafio instigante tentar entender as "mil facetas" deste intelectual raro que fazia questão de ler os textos no original, seja em grego, latim, francês, inglês, japonês ou português.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, formado em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco (USP) e trabalhando na fazenda Tozan, foi um dos importantes articuladores junto ao governo federal para sustar o bloqueio dos bens dos imigrantes japoneses decretado durante a Segunda Guerra.

Em 1954 participou ativamente das comemorações do 4º. Centenário da Cidade de São Paulo e, no ano seguinte, da fundação do Bunkyo. Em 1958, nas comemorações do 50º. Aniversário da Imigração Japonesa no Brasil, assumiu a liderança do grupo responsável pela realização do Censo Demográfico dos Imigrantes Japoneses e seus Descendentes. Foram seis anos de muita luta - colocando dinheiro do próprio bolso - até publicar a catalogação completa dos dados coletados.

Em 1968 estava envolvido em outro grande projeto: fora convidado para lecionar japonês na USP, integrando o Centro de Estudos da Cultura Japonesa que iniciava as atividades.

Concomitante a esses três grandes projetos, Teiiti cultivou, como hobby, a poesia (gostava das francesas!) e a pintura (teve como mestres os renomados artistas plásticos Yoshiya Takaoka e Yuji Tamaki, e chegou a realizar exposições individuais).

Também curtia o prazer de uma boa bebida: pinga, uísque e conhaque e gostava de fumar (morreu de câncer pulmonar em 1996). "Amava a vida de seu jeito, amava a natureza, amava os livros, tudo intensamente", afirma Masatake, acrescentando que o conheceu em 1959, durante a realização do Censo dos Nipo-Brasileiros.

"Qual o espírito que leva um homem a fazer tudo isso, a assumir essas atividades como se fosse uma missão, uma obrigação, não para si, mas para vida, para a sociedade? Eu quis entender de onde vinha essa força e me lancei à pesquisa", explica.

 
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