Referência da Memória da Imigração Japonesa

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01Na manhã de terça (dia 2), visitaram o Bunkyo o prefeito de Ubatuba Maurício Moromizato e o ex-deputado estadual Adriano Diogo (integrante da Comissão da Verdade), acompanhados dos jornalistas Sanenari Oshiro e Mario Jun Okuhara. Foram recebidos pelo diretor cultural Carlos Kenji Fukuhara e secretário geral administrativo Eduardo Nakashima.

Além do contato e aproximação com a diretoria do Bunkyo, o grupo veio convidar para a exibição do documentário “Yami no Ichinichi – O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil”, que será seguido de um debate reunindo o prefeito Moromizato, os jornalistas Masayuki Fukasawa e Mario Jun Okuhara e a procuradora regional da República, Dra. Inês Virginia Prado Soares.

O evento será realizado no próximo dia 6 de junho, sábado, às 14h, no Memorial da Resistência de São Paulo, na zona central, com entrada franca.

Projeto do Marco da Memória

Ubatuba, cidade com 90 mil habitantes, reúne cerca de 200 famílias nipo-brasileiras, conta o prefeito Moromizato, que admite que sua vida pública (ele é dentista) levou-o a estabelecer maior proximidade com os nikkeis locais. “Temos a Associação Nipo-Brasileira de Ubatuba, entidade que foi fundada há cerca de oito anos, e atualmente estamos buscando reformar a quadra de gatebol”, afirma o prefeito, destacando que neste final de semana, no feriado prolongado de Corpus Christis acontece a tradicional “Festa da Cultura Japonesa”.

Além da festa, Moromizato também anda muito preocupado com a preservação da memória relacionada ao antigo Instituto Correcional da Ilha de Anchieta, criado em 1942, para abrigar presos de alta periculosidade. Na realidade, desde 1902, a ilha (a segunda maior ilha do litoral paulista) abrigava uma colônia penal.

Nesse Instituto, o período de 1946/1948 foi marcado pela passagem de 172 imigrantes japoneses e seus descendentes acusados de pertencer às organizações secretas japonesas, criminosos e acusados de “niponismo”. Para muitos deles, a sentença a ser aplicada pelo Estado brasileiro era a expulsão (fato que nunca aconteceu), mas enquanto seguia o processo, ficaram confinados na Ilha de Anchieta.

02Em 1954, após violentas rebeliões, o presídio da Ilha foi desativado e 60 anos depois, restam ruinas nas quais o prefeito Moromizato planeja uma restauração e construir um Marco da Memória. “Nossa preocupação é a de deixar registrada a incrível história que não envolveu somente dos japoneses, mas pessoas de outras etnias, presidiários, caiçaras, militares, entre outros”, afirma ele – que, admite, “a cada dia que passa, me surpreendo com as novas histórias que me contam sobre os acontecimentos vividos nesse local”.

O prefeito reconhece que o tema relacionado ao pós-guerra envolvendo os conflitos internos na comunidade, bem como a repressão do Estado brasileiro aos imigrantes japoneses, “ainda é uma espécie de tabu, e muito espinhosa”. No entanto, ressalta, “não estamos aqui para julgar ninguém, quem estava certo ou errado, estamos diante de um fato histórico e que as próximas gerações de brasileiros não devem apagar de suas memórias. Nesse sentido, gostaria de construir junto com todos um projeto que marcasse esse momento histórico”.

O ex-deputado Adriano Diogo, que desenvolveu, em nível estadual, os trabalhos da Comissão da Verdade, afirma que “é sabida a violenta repressão sofrida pelos imigrantes japoneses e seus descendentes, seja durante a Segunda Guerra, seja logo depois do final do conflito, e deveríamos exigir a retração do Estado brasileiro”. Nesse sentido, o projeto do Marco da Memória, pode ser considerado um passo importante para alcançar esse resultado.

Serviço:
Exibição do “Yami no Ichinichi – O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil”
Data/hora: 6 de junho de 2015, sábado, das 14h às 17h30
Local: Memorial da Resistência de São Paulo – Auditório Vitae – 5º andar
Largo General Osório, 66 – Luz – São Paulo – SP
Informações: (11)3335-4990
Entrada Franca

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