Saa Hajimeyou: o sentimento da cooperação e da arte

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20 copiaNa tarde do último domingo, dia 1º de setembro, o Grande Auditório do Bunkyo, com cerca de 800 pessoas, viveu mais um dos seus eventos memoráveis. Nessa ocasião, realizou-se a 5ª edição do Saa Hajimeyou (Vamos Começar) e, certamente, não poderia ter sido diferente. Mais uma vez, a emoção falou bem alto – a alegria de poder participar de um grupo tão unido, alegria de poder demonstrar sua arte e alegria da gratidão explícita da equipe organizadora liderada pela cantora Mariko Nakahira.

Como nas edições anteriores (a primeira foi realizada em setembro de 2016), a quantidade dos participantes surpreende (mais de 150 pessoas), juntamente com a forma de apresentação do espetáculo, sem falar da atuação voluntária de todos (além de não receber cachê, contribuem com o valor do ingresso de R$ 30,00).

Tamanho empenho de todos tem como objetivo arrecadar fundos para as obras do Espaço Cultural Bunkyo (localizado no subsolo da entidade). As quatro edições anteriores do Saa Hajimeyou doaram às obras um total de R$ 210.000,00 resultantes tanto da venda de ingressos, como da doação de simpatizantes do interior de São Paulo, de outros estados e do Japão.

O Saa Hajimeyou, liderado pela cantora japonesa Mariko Nakahira, que tem como lema “Todos unidos vamos colaborar com a conclusão do Espaço Cultural Bunkyo”, apresenta um show de variadas atrações e adota um formato muito especial, estimulando a cooperação e promovendo a união entre participantes e beneficiários, buscando resgatar o tradicional e genuíno espírito voluntário dos tempos de “kaikan” (clubes).

Os últimos preparativos

A cantora Mariko Nakahira, uma personalidade artística que se tornou conhecida por todos nesses 16 anos de idas e vindas no eixo Brasil-Japão, no mês de maio, ao chegar ao Brasil, inicia os preparativos da próxima edição do Saa Hajimeyou. Entre os intervalos das apresentações que realiza em numerosos palcos de norte a sul do Brasil, mais Paraguai e Bolívia, vai estabelecendo os contatos para montagem do show. Ajeitar participantes, combinar atrações, treinar as músicas e danças, etc., etc., é uma providência que demanda tempo e paciência.

Cantora desde a juventude – estreou profissionalmente aos 17 anos de idade – Mariko Nakahira faz valer a sua longa convivência no setor artístico para liderar o Saa Hajimeyou, missão que sempre conta com a decisiva colaboração do mestre de cerimônia Jorge Suzuki e da empresa BKC para o som e iluminação.

Concomitante às providências tomadas pela secretaria do Bunkyo, os treinos e ajustes da apresentação ocupam toda a véspera do show – sábado o dia todo e domingo de manhã. São infindáveis detalhes que precisam ser ajustados e valorizados. É preciso muita paciência (e competência!) para coordenar tanta gente e tantas especialidades (coral, ginástica, taiko, dança, canto, etc, etc). Desta feita, os grupos se espalharam pelo palco do Grande Auditório, pelo Espaço Cultural Bunkyo, Sala de Exposição, para detalhar e treinar a performance.

Em meio a essa intensa movimentação de pessoas, sons e gestos, outra equipe corre contra o tempo: a turma dedicada à cozinha, nos preparativos da alimentação para esse batalhão de artistas voluntários. No sábado foram servidas 160 pessoas com almoço (às 12h) e lanche (às 15h) e, no domingo (às 11h), o almoço foi para mais de 200 pessoas. O cardápio do sábado foi “cassoulet” (feijoada francesa) com salada e domingo o tradicional “gomoku gohan” (risoto japonês) com salada.

Os preparativos para as refeições foram realizados no Área de Gastronomia, local que integra o conjunto do Espaço Cultural Bunkyo, sob a responsabilidade do Bunkyo (desta feita, a diretora Teruco Kamitsuji e a ex-presidente Harumi Arashiro Goya coordenaram os preparativos das refeições).

Outro atrativo da refeição foi a variedade de doces. As integrantes do Kenko Taisso e do Coral ficaram encarregadas de fornecer as guloseimas e frutas. E, capricharam! Foi possível montar várias mesas sortidas com os doces, muitos deles confeccionados por elas próprias. Interessante que esse foi o momento para experimentar os doces da amiga, e trocar receitas.

Além disso, o pessoal mais prático, antes de se acomodar para comer o prato quente, pegou o prato sobressalente e garantiu as sobremesas (e, muitos doces, sem muita cerimônia!). A conclusão divertida das cozinheiras: “acho que cantar e dançar requer alto consumo de doces, de sobremesa!”.

Trinta minutos passados e a movimentação do Grande Auditório e do Espaço Cultural reinicia com os ensaios dos grupos. O mesmo aconteceria às 15h, para o café da tarde e prosseguindo os ensaios até por volta das 18h.

No domingo, o vai e vem recomeçou por volta das 8h – agora mais intenso e com a presença de ilustres convidados: o Grupo Hongwanji Asoka Gakko de Lins chegou logo de manhã em ônibus fretado.

O aguardado momento do show

Domingo, às 12h30, de repente no Grande Auditório, o silêncio. Só ecoam os acordes do piano na busca da afinação. Momento de concentração junto a outra inusitada preocupação: há cerca de uma hora a chuva torrencial castiga a região dificultando o acesso do público.

Exatamente às 13h15, as cortinas se abriram: todos os artistas do espetáculo reunidos para apresentar a canção “Saa Hajimeyou” (Vamos Começar), letra de Mariko Nakahira, datada de 2017.

Calmantes à toda prova: no canto da coxia, impecável em seu terno e gravata marinho o mestre e cerimônia Jorge Suzuki, supervisiona a movimentação auxiliado pelos membros do Seinen Bunkyo, no fundo do Auditório, os técnicos do BKC, orientados por Flávio Ishizuka, para o som e iluminação.

O show começou e só irá terminar às 16h, com intervalo de 20 minutos.

Saem os participantes e permanecem somente os 48 membros (9 homens) do Coral Miriam Otachi, para emocionar com a potência e afinação de suas vozes interpretando, “Dokokade Haruga”, “Teru teru bozu”, “Hotaru”, “Kogane mushi”, “El condor passa” e “Shonen Jidai”.

Depois, o Coral interpretou a melancólica música “Nada soosoo” (Por sua falta) para a performance do bailarino Satoru Saito (Tamagusuku-ryu Senjukai Satoru Saito Ryubu Dojo). As quatro jovens alunas da academia apresentaram a performance “Abujaama” e “Hanagusuku”. Depois foi a vez da cantora Mariko Nakahira interpretar “Hana”, em conjunto com a performance do mestre Satoru Saito.

Em sua apresentação solo, Mariko Nakahira, que acabou de ser homenageada pelo ministro dos Negócios Exterior do Japão com o Gaimu Daijin Hyoushou por conta de sua atuação no relacionamento Brasil-Japão durante 16 anos, escolheu a música com “Dakara amega suki”, que estreou profissionalmente aos 17 anos de idade. Seguiu-se a música de sua autoria, “Transmitindo os 110 anos para o futuro”, finalizando com a inspiradora “Arigatô”, juntando-se à dança do grupo Hanayagui ryu Kinryukai com “Ura Mado”. Foram mais três performances do grupo: “Hana Butai” (Hanayagui Ryuitsu), “Sado no maiogui” (Hanayagui Ryuna) e “Hana no Em” (Hanayagui Ryuhaku), antes do intervalo.

Já, no intervalo, a apresentação especial da Escola Asoka de Lins: os rapazes dançaram a peça “Ikken” e as moças “Anatani saku hana”. Ambas as apresentações foram calorosamente aplaudidas.

Vinte minutos depois, o recomeço do show tendo agora na plateia mais duas novas autoridades: o presidente do Bunkyo Renato Ishikawa e o cônsul-geral do Japão Yasushi Noguchi que acabaram de chegar de Presidente Prudente depois de participar das atividades do 5º Forum de Integração Bunkyo – Regional.

A segunda parte do Saa Hajimeyou foi mais “volumosa”, vamos assim dizer. No palco, as 76 integrantes da Associação Kenko Taisso do Brasil, com as dançarinas do Hanayagui ryu Kinryukai, se apresentaram com a música “Brasil Ondo”.
Na sequência, a performance das senhoras do Kenko Taisso com “Fuyu no yado”, “Sekai ni hitotsu dake no hana” e “Yoake no uta”.

O grupo Yasugui Bushi Dojo Sukui, que teve presença discreta nas edições anteriores, conquistou mais espaço neste 5ª Saa Hajimeyou, contando com o acompanhamento do Zeni Daiko (instrumento musical feito de bambus com moedas). Dança folclórica da província de Shimane, Dojo Sukui é uma irreverente performance de captura do dojo (peixe cobra).
O dançarino com o movimento ritmado da pélvis e expressão fácil cômica, tenta (e consegue!) capturar o dojo vencendo a sua agilidade (esse peixe, natural da Ásia tem costume de enterrar-se no lodo durante o dia e costuma dar grandes saltos fora d´água).

A divertida apresentação embalada pelo ritmo do Zeni Daiko , arrancou fortes aplausos da plateia.

Dos movimentos descontraídos da captura do peixe cobra, entramos na apresentação resplandescente do cantor Takeshi Nishimura que prestigia o Saa Hajimeyou desde a 1ª edição. Sua voz potente carregada de emoção ecoa no silêncio do Auditório “Kojo no tsuki”, “Kaatian” e “Kampai”.

Depois entra o som envolvente do taiko e ele encanta interpretando “Matsuri”. O Sakura Fubuki com sua performance cadenciada tocam: “Tsubomi”, “Brasil Kenka Yatai” e “Shikisai”. E é o taiko que vai marcar a batida para o “Soran Bushi” com o Coral Miriam Otachi.

Seguiu-se a cerimônia de agradecimentos antes do fechamento final do “Ipê Ondo” reunindo todos os participantes.

No palco, Auditório e hall ainda demorou para a luz ser apagada. O clima de emoção criado nesses dois dias de convivência demorou para dissipar, ou, ninguém queria que dissipasse. De fato, Saa Hajimeyou, todos nós.

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