Tempo de pandemia: as ações das entidades nipo-brasileiras

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A 630ª Reunião online da Diretoria, na noite do último dia 21 de outubro, foi um momento oportuno para atualização da situação das entidades nipo-brasileiras de diferentes localidades.

No encontro, os 25 diretores regionais comentaram sobre as condições das entidades que integram suas respectivas federações/ligas. Além das dificuldades financeiras enfrentadas pela maioria, os diretores destacaram as iniciativas desenvolvidas por elas.

A primeira parte da programação reuniu os relatos de eventos do Bunkyo: o Simpósio Internacional dos Museus de Imigração Japonesa (dia 12 de novembro), Comemoração dos 65 anos de fundação do Bunkyo (17 de dezembro), Relatório do 12º FIB – Fórum de Integração Bunkyo (realizado nos dias 19 e 20 de setembro), live 30 anos da Comunidade Brasileira no Japão (7 e 8, 21 e 22 de novembro).

Destaque para a apresentação do diretor de Planejamento, Herberto Yamamuro sobre a “Proposta de Sustentabilidade Econômica das Entidades Pós-Pandemia”, baseada na adaptação à situação de pandemia e demandas surgidas na reunião anterior de diretores regionais (ultimo dia 11 de junho) e 12ª edição do FIB.

A proposta baseia-se na formação de uma “rede virtuosa de colaboração entre os diretores de São Paulo e as Regionais” a partir da criação de uma Câmara Setorial de trocas de experiências bem-sucedidas. Outra seria a Câmara de Mentoria com a implantação, por parte do Bunkyo, de Programas Profissionais Estruturais com a atuação de diretores, assessores e colaboradores a partir de sua formação profissionais e/ou área de atividades.

Relatos e sugestões dos diretores regionais

A 630º Reunião da Diretoria em formato online, contou com a participação maciça dos diretores regionais: das 30 regionaiso encontro registrou a participação de 25 representantes, de norte a sul do país. 

Os diretores (ou seus representantes) das regionais: Litoral Paulista, São Paulo Oeste, Alta Mogiana, Sudoeste e Vale do Ribeira não participaram do encontro.

A seguir, apresentamos o resumo da manifestação de cada um dos diretores regionais.

Amazonas: Ken Nishikido reconheceu que a quarentena tem proporcionado o aprendizado na tecnologia digital, conhecimento que precisa ser disseminada para as outras associações da região.

Pará: Yuji Ikuta propôs que o Bunkyo encampe sua ideia de produzir um programa cultural de TV de 30 minutos semanais, patrocinado por empresas parceiras, levando-se em conta a entidade possuir associados por todo o país.

Bahia: Roberto Mizushima mostrou-se preocupado com a falta de atividades para gerir o caixa, relacionou algumas das atividades canceladas e, entre elas, as duas edições do FIB (Fórum de Integração Bunkyo) que estavam programadas para as cidades de Teixeira de Freitas e Luís Eduardo Magalhães. Entre as entidades, a única exceção é o Bunkyo de Salvador pois, além do caixa gerido no Festival do Japão de 2019, quando reuniu mais de 50 mil pessoas, neste ano, foi realizado em formato online com patrocinadores. Acredita que “realizar o FIB seria fundamental para motivar a juventude local tomar a iniciativa de promover atividades como Festival do Japão”.

Mato Grosso: Jaime Matsunaga informou que, das 6 entidades locis, somente duas estão ativas, “as outras estão praticamente se acabando”. Disse que pretende entrar em contato com o pessoal e divulgar as novas ideias colhidas neste encontro.

Centro Oeste: Kuniyoshi Yasunaga relatou que a situação das entidades da região, como no resto do país, é complicada, e concorda com Mizushima, de Salvador, “o FIB é um movimento bastante interessante como motivação dos jovens”. Informou que felizmente na Feanbra (Federação das Associações Nipo-Brasileira do Centro Oeste), “o custo é mínimo, mas algumas associações realmente precisam de apoio”. Informou que um dos graves problemas é a manutenção da Associação Casa de Estudantes que até então era ocupada por 40 alunos. Com a pandemia, a maioria deles retornou para seus lares e cerca de 25% das vagas estão desocupadas. Para garantir a manutenção tem realizado o “yakissoba delivery” com resultado satisfatório. Acredita que essa alternativa poderia ser adotada pelas associações para tentar obter alguma renda.

Minas Gerais: Tsuyoshi Yotsumoto informou que, estando em trânsito, estava impossibilitado de realizar um relato, mas que acompanharia a reunião como ouvinte.

Rio de Janeiro: Shirlei Atsumi disse que a situação não é diferente de outras congêneres do país, mas boa parte das 18 associações do Estado tem reservas de caixa, mas “sem realizar eventos, acaba gastando sua popança”. Mensalmente, elas se reúnem por meio da federação “Renmei’ para trocas de ideias. Nos últime busca de alternativas. Nos últimos dias, afirmou, muitas têm tentado retomar as atividades, principalmente aquelas praticadas ao ar livre, como o gatebol. Considerou as FIBs uma ótima ideia e elogiou a proposição de sustentabilidade preparada pela Diretoria.

Rio Grande do Sul: Hiroshi Taniguchi fez o relato: “somos uma colônia pequena de cerca de 5 a 6 mil nikkeis”, sendo que as entidades se concentram em Porto Alegre, e informou que é a terceira cidade, além de São Paulo e Belém, que tem uma Enkyo, embora de pequeno porte. No caso do Bunkyo local que mantem a escola de língua japonesa, a receita caiu muito e está sobrevivendo às custas de almoços beneficentes delivery. E declarou que está programando a realização de FIB para fomentar ideias e motivar os jovens.

Santa Catarina: Roxana Shinohara relatou que foi ótima a oportunidade de participar do FIB e do encontro do Museu com as Regionais, e considerou ótima a proposta de se formar uma “rede de colaboração de entidades”, o que no Estado poderá envolver as 9 entidades associadas da Federação. Sobre sua atuação junto à Associação Nipo-Brasileira Catarinense durante 8 anos, foi possível “fazer uma reserva, mas não vai durar para sempre e temos de buscar a sustentabilidade”. Contou um pouco de sua trajetória como decasségui, e parabenizou a Diretoria pela realização da atividade de 30 anos de brasileiros no Japão.

Curitiba: Ryoiti Oshima, vice-presidente da Associação Nipo-Brasileira de Curitiba, relatou que a situação da entidade é difícil com o cancelamento da 35ª edição do Imin Matsuri e do Haru Matsuri em setembro. Mas, acredita que “no próximo ano vamos conseguir nos equilibrar novamente”.

Norte do Paraná: Eder Takemura, representando o Diretor Regional Eduardo Suzuki informou que, em geral, as atividades das associações foram suspensas, e a Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, que congrega 47 entidades do Estado, sediado em Londrina, teve de reduzir seus custos mensais de 23 a 25 mil reais para a metade. Em consequência, tiveram de dispensar inclusive professores, com as aulas interrompidas, e está se buscando apoio da JICA, já que as possibilidades brasileiras de incentivo estão inviáveis. Considerou positiva a proposição feita pela Diretoria SP de câmaras setoriais para tratar da sustentabilidade das entidades.

Dourados: José Yoshihisa Shirota, presente desde o início do encontro, não teve chance de apresentar seu relatório – posteriormente informou que houve queda de energia e de conexão de internet devido forte chuva.

Campo Grande: Nilson Tamotsu Aguena agradeceu a oportunidade de participar e de ouvir propostas novas que podem beneficiar o conjunto das entidades. Lamenta  não ter conseguido comemorar o centenário de fundação da entidade neste ano e somente viabilizou a instalação de placas solares para captação de energia. Foram promovidos três drive thru para venda de alimentos (e pretendem promover mais um), e considera que, finalmente, “o clube está conseguindo andar”, apesar de ter perdido muitos sócios.

Alta Araraquarense: Alberto Sakakisbara acredita que é “hora de se reinventar” mas, deve-se “tratar a sustentabilidade econômica dos kaikans com cautela e certa paciência” e aguardar “a estabilidade econômica e política”. Relatou que os desafios enfrentados pelas entidades da região não diferem das demais, e a exceção é a entidade de Santa Fé do Sul que, por ser cidade turística, conseguiu verba destinada à cultura pela lei Aldir Blanc.

Centro-Oeste Paulista: Tadayoshi Hanada relatou que entidades da região também estão com as atividades suspensas e informou que aquelas que não têm reservas financeiras estão encontrando uma série de problemas para sua continuidade. No caso do Instituto Cultural Nipo-Brasileiro de Campinas, a despesa mensal é de 30 a 35 mil reais, a receita ordinária era de 15 a 20 mil reais, portanto o déficit era coberto pela realização de 2 eventos mensais, além dos grandes eventos anuais Festival do Japão e Exposição de Orquídeas. Com a pandemia, impossibilitado de promover eventos e apesar de ainda dispor de certa reserva financeira, realizou-se uma campanha (que foi bem sucedida) para arrecadação de recursos por meio do Whatsapp e Facebook.

Noroeste: Shiniti Yasunaga destacou que a Federação das Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste completou 61 anos, e que entre suas associadas existem algumas com 80 anos. As entidades maiores são as que estão sofrendo mais por conta das despesas fixas, e as atividades de delivery têm aumentado mas não são suficientes para sustentação financeira. Das 33 entidades associadas, lamentou que a associação da cidade Clementina vendeu sua sede e encerrou suas atividades. Comprometeu-se a incluir na pauta da próxima assembleia da Federação a proposta de realizar um FIB Regional.

Alta Paulista: Kenichi Mizuno relatou que a Regional abriga 16 cidades e afirmou ser importante imprimir uma administração empresarial na gestão das entidades, e destacou o exemplo do Clube Nikkei de Marília que alterou o foco “lazer” para “prestação de serviços”.

Alta Sorocabana: Toshio Koketsu agradeceu a oportunidade de ouvir as situações locais e soluções diversas que a comunidade tem adotado. Quanto às atividades da Hansoro (Associação Cultural Nipo-Brasileira da Alta Sorocabana), informou que as 5 edições de FIBs Regionais e a formação de um grupo de jovens na Regional deu fôlego para o enfrentamento da atual situação. Afirma que os recursos para manter as atividades das entidades escassearam e até o momento tem se mantido por meio dos drive thru de alimentação, mas “ainda estamos sentindo dificuldades de prever o que vai ser o futuro”. De acordo com ele, “as associações menores conseguem sobreviver com uma pequena verba, mas uma entidade como a ACAE – Associação Cultural, Agrícola e Esportiva de Presidente Prudente, mantem a equipe de beisebol e outras despesas muito altas, e a diminuição do apoio dos nikkeis”. O diretor acredita que será “difícil o retorno como antes, precisamos nos reinventar, trazer coisas novas e trazer para dentro de nossas entidades as ideias dos jovens”.

Suzano: Reinaldo Katsumata agradeceu a oportunidade da realização do FIB na regional de Suzano em 6 de dezembro. Informou que Bunkyo Suzano também foi cadastrado na lei Aldir Blanc e receberá 9 mil reais dividido em três parcelas mensais, e aconselhou que interessados poderiam procurar a Secretaria de Cultura do município para verificar a possibilidade de acesso à lei federal de socorro às entidades culturais. Lamentou o cancelamento do tradicional Festival das Cerejeiras e a consequente suspensão do contrato dos funcionários. Graças à campanha de eleições municipais, alguns imóveis estão locados para escritórios de candidatos.

Mogi das Cruzes: Shigeru Matsumoto relatou sobre as iniciativas do presidente do Bunkyo local Frank Tuda, que por ser relativamente jovem tem conseguido atrair jovens para que realizem atividades que revertam em campanha para arrecadação de alimentos para a população mais carente. Estamos colaborando com a sociedade maior neste momento difícil, e na expectativa de que no ano que vem os grandes eventos, como o Akimatsuri e Tanabata, possam ser realizados, com o apoio efetiva da prefeitura. Informou que, além dos drive thru para venda de culinária japonesa, programa para o próximo dia 5 de dezembro, um evento online com a cidade-irmã de Toyama, com a participação da cantora Marcia, que nasceu na cidade.

Santo André: Isaac Yasuo Miyaoka relatou que desde março não tem tido nenhuma atividades junto às sete entidades filiadas, pois nem têm se reunido.

São Bernardo do Campo: Kunime Yamamoto esclareceu que, das quatro entidades filiadas, uma tem recursos e, portanto, tem se mantido sem realizar atividades, e as demais têm se valido da tecnologia digital para realizar vendas de refeições e sorteios.

São Paulo Norte: Gerson Kunii relatou que das 13 entidades que compõem a Regional, oito têm arrecadação por meio de “tanomoshi”, e com a suspensão das atividades não há despesas, essas tem se mantidos financeiramente bem. Outras têm realizado drive thru de yakissoba e feijoada, de forma terceirizada, para poupar a exposição das integrantes de Fujinkai.

São Paulo Leste: Sérgio Ocimoto Oda manifestou grande interesse pelos exemplos de superação das entidades e elogiou a iniciativa da Diretoria em proporcionar este momento de compartilhamento de experiências. De sua Regional, anunciou que, após longos anos de luta, contando com o apoio decisivo do vereador Aurélio Nomura, foi firmado um termo de cooperação entre a municipalidade e a Federação de Sakura e Ipê para cuidar do Bosque de Sakura do Parque do Carmo, semelhante aos termos assinados com o Pavilhão Japonês e Memorial do Imigrante Japonês, ambos localizados no Parque Ibirapuera.

São Paulo Sul: Jorge Kiyoshi Suzuki relatou que a ACE Saúde, principal entidade da região, está com a sede praticamente sem atividades, a não ser o tênis de mesa, algumas atividades de arrecadação com venda de refeições e doces, e eventualmente um almoço solidário.No encerramento das manifestações das regionais, o vice-presidente Tomio Katsuragawa, presidente da Comissão de Relacionamento com as Associações, enalteceu a presença de todos e enalteceu o papel dos Diretores Regionais no sucesso da realização do 12º FIB, e reiterou o pedido da mensagem gravada de 1 minuto para o vídeo comemorativo dos 65 Anos de Fundação do Bunkyo.

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