Auditório

As associações foram importantes referências de atuação aos imigrantes japoneses desde sua chegada ao Brasil, em 1908. A maioria dos núcleos coloniais possuia sua entidade que coordenava diferentes atividades coletivas desde eventos culturais, sociais, orientações à saúde, melhoria da infraetrutura local, entre outras.

Com o advento da Segunda Guerra Mundial, por força das leis proibitivas, as representações mantidas por estrangeiros originários dos países do Eixo foram dissolvidas, gerando uma série de problemas aos nipo-brasileiros.

Com o final do conflito, novas associações são criadas a partir de iniciativas das comunidades locais.

Em 1954, surge a possibilidade de estabelecer uma entidade centralizadora a partir da comissão organizadora montada para participar da comemoração do 4º Centenário da cidade de São Paulo.

Presidida por Kiyoshi Yamamoto, a comissão reuniu representantes das lideranças locais, dos órgãos japoneses sediados no Brasil e buscou retomar o intercâmbio com o governo japonês.

Um dos resultados desses esforços, o Japão, além de participar com representantes de outros países da Grande Feira Internacional organizada para inaugurar o Parque Ibirapuera; em parceria com a comunidade nipo-brasileira, construiu e presenteou a Cidade com o Pavilhão Japonês, uma edificação inspirada no Palácio Imperial Katsura.

Em 1955, passada a festa, foi decidido que a comissão organizadora não deveria ser dissolvida e sua estrutura ser aproveitada para coordenar as festividades dos 50 anos da imigração japonesa em 1958.

Nascia, portanto, em 17 de dezembro de 1955, a Sociedade Paulista de Cultura Japonesa, instalada numa sala alugada na Avenida Liberdade, próximo da Praça da Sé, cuidando e realizando seus eventos públicos no Pavilhão Japonês do Parque Ibirapuera. Mais informações: https://www.bunkyo.org.br/br/pavilhao-japones/

Além do Bunkyo, outra organização teve origem na Comissão Colaboradora da Colônia Japonesa Pró-IV Centenário da Cidade de São Paulo. Na sua dissolução foi proposta a constituição de uma entidade do tipo Sociedade Amigos do Japão, e em 17 de novembro de 1956 é fundada a Aliança Cultural Brasil-Japão. Além de representantes da comunidade nipo-brasileira, também incluiu expoentes da sociedade paulistana não nikkeis, e teve como primeiro presidente o poeta Guilherme de Almeida, (que presidira a Comissão Organizadora do IV Centenário) e vice-presidente Kiyoshi Yamamoto, então presidente do Bunkyo. Mais informações: https://site.aliancacultural.org.br/

Em 1958, o ápice do cinquentenário da imigração japonesa foi comemorado com um desfile de carros alegóricos alusivos à cultura japonesa, organizado pelo Bunkyo, no Vale do Anhangabaú e lançamento da pedra fundamental do edifício-sede da entidade, à Rua São Joaquim, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Essa celebração contou com a prestigiosa presença do príncipe e da princesa Mikasa, irmão do então imperador Hirohito. Pela primeira vez, o Brasil recebia a visita oficial de um membro da Família Imperial do Japão. Para os imigrantes japoneses, a presença do príncipe Mikasa simbolizou reavivar laços com a terra natal, tão apartada durante a Guerra.

Com o sucesso dessas festividades, a entidade concentrou esforços na construção da sede própria.

Em 21 de abril de 1964 foi inaugurado o edifício-sede construído com recursos obtidos no Brasil e no Japão, junto às empresas, entidades e órgãos governamentais. Na nova sede são realizados diferentes eventos que vão marcar a atuação da entidade nos anos seguintes: em 1966, acontece o 1º Festival de Música e Dança Folclórica Japonesa – Gueinosai. Nesse ano, a 1ª Feira de Livros Usados em prol da manutenção das atividades da Biblioteca dá destaque a este departamento criado na época da fundação. Em 1968, a 1ª Exposição de Arte Koguei e o 1º Prêmio Literário Colônia e, em 1972, o 1º Festival de Danças Internacionais (reunindo grupos de danças representando diferentes povos/países) e o 1º Salão Bunkyo de Artes Plásticas.

Este ciclo virtuoso de evolução do Bunkyo e das associações, só foi possível graças ao apoio das empresas japonesas e nipo-brasileiras (fundadas por imigrantes e descendentes) que se tornarão alicerce fundamental para a sustentação financeira das atividades das entidades culturais e assistenciais da comunidade.

A retomada das relações diplomáticas entre o Brasil e o Japão, após a assinatura do Tratado de São Franciso em 1952, traz, concomitante com a retomada da imigração de japonesa em 1953, a intensificação da presença de empresas japonesas. Na ocasião, por iniciativa de Kunito Miyasaka, presidente do Banco América do Sul – e que se tornaria o terceiro presidente do Bunkyo -, foi reorganizada a entidade aglutinadora das empresas, que assumiu a denominação de Câmara do Comércio e Indústria Japonesa no Brasil. Mais informações: http://pt.camaradojapao.org.br/

Em 1967, outra importante missão para o Bunkyo: organizar a recepção aos então príncipes herdeiros Akihito e Michiko em sua primeira visita ao Brasil. Uma concorrida solenidade lotou o Estádio Municipal do Pacaembu (São Paulo), com a presença de vários imigrantes japoneses do pioneiro Kasato Maru, marcando os 60 anos da imigração japonesa a serem completados no ano seguinte.

O legado mais importante desta comemoração foi a construção do Grande Auditório do Bunkyo, batizado com a denominação de “Grande Auditório Comemorativo do Príncipe-Herdeiro do Japão”, com lotação de 1.200 lugares. Construído contíguo ao edifício-sede, estava situado no andar acima da sede e do ambulatório médico da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo, chamada de Enkyo (abreviação em japonês de “entidade de assistência”), fundada em 1959. Mais informações: https://www.bunkyo.org.br/br/sobre-o-bunkyo/instalacoes/

Em 1968, como resultado da abrangência de sua atuação, a entidade adotou outra denominação: Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.

O Bunkyo, abreviatura em japonês que significa “entidade cultural”, passa a denominar não somente a entidade central, como também outras centenas de “Bunkyos” em várias localidades do país. As realizações da entidade central se tornaram referência da cultura japonesa praticada neste país.

No âmbito do relacionamento dos imigrantes japoneses com sua origem, em 1966 é fundada a Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – Kenren congregando 48 entidades. O primeiro presidente foi Kumaki Nakao, que havia deixado a presidência do Bunkyo depois de suceder o primeiro presidente Kiyoshi Yamamoto. O Brasil o único país fora do Japão a ter uma estrutura organizada reunindo todas as origens dos japoneses. Mais informações: lhttps://www.kenren.org.br/

Ao se comemorar os 70 anos da imigração japonesa, em 1978, a cerimônia oficial lotou o Estádio Municipal do Pacaembu, abrilhantada pelos então príncipes herdeiros Akihito e Michiko, em segunda visita ao Brasil, e a presença do então presidente Ernesto Geisel. No Edifício Bunkyo participaram da inauguração do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, idealizado pelos imigrantes pioneiros visando preservar e transmitir sua história às gerações seguintes. Mais informações: https://www.bunkyo.org.br/br/museu-historico/

Para o Bunkyo foi o momento de consolidação de sua missão de representar a comunidade nipo-brasileira, intensificar a divulgação da cultura japonesa, fortalecer o intercâmbio Brasil-Japão.

A fase de apogeu das atividades da comunidade nipo-brasileira celebrou outro momento de brilho, em 1988, nos 80 anos da imigração japonesa, quando novamente o Estádio do Pacaembu ficou lotado, e teve a presença do príncipe Fumihito (atual príncipe-herdeiro Akishino) e do presidente José Sarney. Ambos também participaram da concorrida inauguração do Hospital Nipo-Brasileiro administrado pela Benefícência Nipo-Brasileira de São Paulo, uma das entidades irmãs do Bunkyo. Mais informações: http://enkyo.org.br/

Em contraste ao apogeu organizativo, o ambiente econômico não era dos mais favoráveis. A alta da inflação e a declaração de moratória da divida externa em 1987 do Brasil, somadas à atração do Japão pela abertura econômica no continente asiático, notadamente na China Continental, provocam distanciamento significativo às relações bilaterais. A estrutura da comunidade nipo-brasileira é corroida pela atração de mão de obra rumo ao exterior engrossando o fluxo migratório contrário, ou seja, do Brasil para o Japão.

Em 1992, realizou-se o Simpósio “Futuro da Comunidade Nikkei” enfocando o movimento decasségui e as possíveis influências na comunidade nipo-brasileira, e foi fundado o CIATE – Centro de Informação e Apoio ao Trabalho no Exterior, administrado pelas três principais entidades da comunidade Bunkyo, Enkyo e Kenren, e com os recursos do Ministério do Trabalho do Japão. Mais informações: http://www.ciate.org.br/quem-somos/historico

Em 1997, o imperador do Japão Akihito e a imperatriz Michiko visitam ao Brasil, como preâmbulo das atividades comemorativas dos 90 anos da imigração japonesa. Na programação oficial deles, a visita às obras do terceiro andar expositivo do Museu da Imigração Japonesa, no 9º andar do Edifício Bunkyo.

No mesmo ano, o refluxo da presença dos investimentos japoneses reverte em novo patrimônio para o Bunkyo, quando recebeu em doação o Centro Esportivo Kokushikan Daigaiku, localizado em São Roque, uma propriedade de 581.758 m2, local que, nos anos seguintes, será palco do Festival das Cerejeiras. Mais informações: https://www.bunkyo.org.br/br/centro-esportivo/

O Bunkyo, em conjunto com as principais entidades Enkyo, Kenren, Câmara e Aliança, o grupo das chamadas Cinco Entidades, tem organizado comemorações em datas marcantes da comunidade, tais como as relacionadas ao aniversário da imigração japonesa no Brasil. Recepções e/ou homenagens são realizadas não somente para receber personalidades representativas do relacionamento Brasil-Japão, como também às autoridades de destacada presença em nosso país.

A organização da maioria dessas solenidades oficiais ainda conta com a participação direta de mais de 30 entidades nipo-brasileiras parceiras. Eventos/campanhas sociais são lideradas pelo Bunkyo e envolvem entidades representativas dos nipo-brasileiros, e são de cunho reivindicatório ou de ajuda humanitária. Mais informações: https://www.bunkyo.org.br/br/sobre-o-bunkyo/entidades/

A abrangência nacional da atuação do Bunkyo confere importante papel dos Diretores Regionais, atualmente 31, que representam as ligas ou federações das entidades regionais sediadas nas capitais estaduais ou em locais de relevante presença da comunidade nipo-brasileira. Mais informações: https://www.bunkyo.org.br/br/sobre-o-bunkyo/diretoria-conselho/representantes-regionais/

O advento do século XXI trouxe a necessidade de adequar o Bunkyo quanto ao seu posicionamento como entidade central da comunidade nipo-brasileira, capaz de atender às necessidades de liderar as atividades comemorativas do Centenário da Imigração Japonesa, em 2008. Foram realizadas sucessivas alterações no Estatuto Social, ora para adaptação ao novo Código Civil, ora para adequar aos requisitos de uma entidade de assistência social, incluindo a alteração de sua denominação para Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social em dezembro de 2006, que vigora até o presente.

Por fim, o tão almejado objetivo projetado pelos pioneiros fundadores do Bunkyo é atingido na celebração do Centenário da Imigração Japonesa, em 2008, que ganha destaque nacional e internacional. Ou seja, ultrapassa largamente as fronteiras da chamada “Colônia” (comunidade de japoneses e seus descendentes). A festividade contou com a honrosa presença do então príncipe-herdeiro, atual imperador Naruhito.

A caminho do Bicentenário, os 110 anos da imigração japonesa foram festejados em 2018, e uma nova geração de dirigentes e voluntários do Bunkyo focam o legado da cultura japonesa como um fenômeno internacional. Este contexto inclui a trajetória dos nikkeis fora das fronteiras do Brasil, como fizeram os primeiro imigrantes japoneses que, em meados do século XIX, descobriram que havia um mundo além do arquipélago. E que nesses locais poderiam obter novos conhecimentos e também ensinar, compartilhar experiências com povos diversos, com o mesmo fim, o de viver em paz e harmonia.

A trajetória de todos os mandatos dos presidentes, seus diretores e os inúmeros voluntários que contam a trajetória da entidade que completou 65 anos em 2020, está contada em detalhes na seção específica. Saiba mais: https://www.bunkyo.org.br/br/sobre-o-bunkyo/diretoria-conselho/ex-presidentes/ Ex-presidentes

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